domingo, 24 de maio de 2015

Ex-vereador e sua opinião sobre (UERN)

É com desconforto que escrevo, mas sinto essa necessidade. O motivo é a matéria (http://jornaldehoje.com.br/ex-vereador-alerta-ou-o-governo-acaba-com-uern-ou-ela-acaba-com-o-rn/) escrita com a opinião de um ex-vereador de Natal e sua opinião sobre a UERN. Me sinto como egresso da referida instituição, ofendido!
Primeiramente, quero deixar claro que alguém que era político, seja qual for o cargo eletivo deveria antes de se pronunciar sobre qualquer órgão ou repartição pública, analisar seu papel e contribuição ao estado/cidade ao qual tenha prestado serviço, no referido caso, ao município/capital do RN.
Vejo como profunda falta de competência intelectual tal uso em seu blog do verbo 'gastar'. Gasto é manter milhares de políticos com salários incompatíveis com o nível profissional/educacional dos mesmos, profissionais da política ganhando mais que graduados, mesmo tendo apenas o fundamental/médio. Isso sim é um gasto. São pessoas que recebem além de seus salários, auxílios para seus gabinetes, mas que serviços prestam à sociedade? Que qualidade tem esse serviço?
Ao falar que a inexistência da UERN traria economia aos cofres do Estado, tal indivíduo desconhece o papel da educação. Como ex-aluno da UERN, instituição a qual fui estudante do Curso de Ciência da Computação e neste curso representate estudantil por vários anos. Conheci esta instituição como poucos. Que existem problemas crônicos isso é fato, como todo órgão público, a burocracia em demasia apenas expõe tais fatos. Mas, educação não é gasto similar a manter um gabinete de um político. É educação é liberdade e começa no ato e exercício da fala, ainda criança. Um país que não permite o acesso ao ensino superior a seu povo, jamais poderá ser chamado de NAÇÃO!
Não se cria um filho para morar eternamente em seu quarto, sem ver à luz do dia, nem a rua, nem a cidade. Se cria um filho para crescer e modificar a parcela da sociedade em que se vive/cresceu, com sua contribuição social na área em que houver maior aptidão. A Universidade surge como responsável por direcionar esse filho a uma linha, uma área que lhe permita voar e junto com seu voo levar não apenas o nome da instituição que o graduou como também ao estado e município.
É vergonhoso ler que um egresso da UERN tenha que trabalhar exclusivamente em seu estado, é como pensar em um Oscar Niemeyer e que as obras deste que foi o maior arquiteto do Brasil tivesse que existir apenas no estado do Rio de Janeiro.
Como se Natal não pudesse ter uma obra sua, como se Curitiba não pudesse, como se o mundo não pudesse ter suas obras, e com este pensamento infeliz de um tal ex-vereador, não teríamos Brasília! Segundo o pensamento do tal ex-vereador seria uma vergonha para o Rio de Janeiro formar arquitetos, e uma vez formados irem trabalhar em outros estados e pior que isso, em uma cidade que nem existia, criada do zero.
Cada universitário/filho tem um pouco de Niemeyer ou pelo menos deveria, o que espera-se é uma contribuição do mesmo nível que este grande brasileiro, mas sendo realista isso não é para qualquer um.
Sou egresso, moro e trabalho em outro estado, não sinto vergonha disso, contribuou para meu país na área a qual me graduei. Tentando não apenas cumprir com minhas obrigações, mas elevar a área da microeletrônica(área que atuo) neste país a um patamar inédito!
Se esse sujeito acha um absurdo egressos trabalharem em outro estado e existir uma Universidade num estado pobre, tenho duas sugestões:
Leia sobre Niemeyer e a história do Japão. No primeiro caso, não será preciso ir longe para ver a obra ou parte dela deixada por ele. No segundo caso, esse país que fora arrasado por guerras e bombas nucleares se reergueu investindo em educação, rompendo à linha de pobreza e se tornando um país chave na inovação, respeito e qualidade de vida. Pois a educação liberta e pode por fim a pobreza quando ela é apenas financeira.